Este ensaio audiovisual, entendido aqui como um ensaio visual-científico, se soma às formas tradicionais de produção acadêmica (artigos, dissertações, teses). O resultado é ao mesmo tempo um produto da pesquisa e uma forma de pensar com a pesquisa, mobilizando recursos da linguagem audiovisual.
O trabalho se apoia em cerca de três anos de investigação, que incluem aproximadamente 250 a 260 entrevistas com moradores e moradoras de São Paulo, um extenso levantamento iconográfico e sonoro e um posterior processo de análise, do qual também resultou um ensaio escrito. Esse conjunto de materiais constitui a base principal do vídeo, que se organiza em torno de imagens, sons e falas coletadas ao longo do projeto.
A equipe assume, aqui, uma posição de pesquisadores participantes. Ainda que as narrativas sobre a cidade partam das vozes de cidadãos e cidadãs, o vídeo evidencia a presença dos pesquisadores nas escolhas de enquadramento, seleção e montagem: nas imagens privilegiadas, nos recortes sonoros, no ritmo da edição. As imagens foram coletadas e curadas pelo grupo, e o roteiro foi construído a partir do próprio corpus da pesquisa, evitando a inserção de elementos externos meramente ilustrativos.
A proposta não é apenas de documentação do processo, mas a de uma nova materialidade da pesquisa. O vídeo funciona como documento e, ao mesmo tempo, como experiência estética: ele registra e também reorganiza o imaginário da cidade, operando na fronteira entre investigação acadêmica e vídeo-arte. A sensorialidade ocupa um lugar central, com um cuidado especial na construção do ritmo, na alternância entre densidade e pausa, na articulação entre imagem, silêncio e ruído.
A dimensão sonora é particularmente relevante. Um dos resultados recorrentes da pesquisa diz respeito aos contrastes que atravessam São Paulo – diversidade, tensões, sobreposições. O vídeo traduz esses contrastes na forma de uma paisagem sonora que combina silêncios, ruídos urbanos, fragmentos de fala e narração. A voz que conduz o ensaio – responsável pelo roteiro, pela edição e pela narração – integra essa paisagem, carregando intencionalidade, afetividade em relação à cidade e marcando o ritmo da escuta.
O vídeo reafirma a ideia de que o imaginário urbano é uma construção coletiva: produzido a muitas vozes, em múltiplos registros, no cruzamento entre pesquisa, arte e experiência cotidiana.
Participantes Projeto Imaginários Urbanos – São Paulo (2021-2023)
| Professores / Coordenadores | Lisbeth Rebollo Gonçalves . Helcio Magalhaes |
| Professores / Convidados | Lucilene Cury . Marilene Proença . Júlio César Suzuki |
Etapa de entrevistas – fase 1
| Pesquisadores | Ana Bueno . Carla Fatio . Cristielen Ribeiro Marques . Deise dos Santos Oliveira . Eduardo Rascov . Fernanda Duoli . Gabriela Guimarães . Miriam Anyosa . Pilar Oliva . Vitor Crubelatti |
Etapa de entrevistas – fase 2
| Pesquisadores | Carla Fatio . Cristielen Ribeiro Marques . Daniel Mendes . Fabiane Schafranski Carneiro . Gabriel Dib Daud De Vuono . Suzana Maria Loureiro Silveira . Vitor Crubelatti |
Etapa de pesquisa e construção de banco audiovisual
| Pesquisadores | Carla Fatio . Cristielen Ribeiro Marques . Daniel Mendes . Fabiane Schafranski Carneiro . Gabriel Dib Daud De Vuono . Suzana Maria Loureiro Silveira |
Etapa de tabulação, análise e redação final do ensaio
| Pesquisadores | Cristielen Ribeiro Marques . Fabiane Schafranski Carneiro . Gabriel Dib Daud De Vuono . Suzana Maria Loureiro Silveira |
| Vídeo baseado no ensaio “São Paulo Imaginada: A Cidade de Muitos Cenários”, produzido em 2024 pela equipe da Universidade de São Paulo (USP). Supervisão: Lisbeth Rebollo Gonçalves Roteirização, textos, edição e locução: Cristiélen Ribeiro Marques |




